Indicado para o Grammy latino de 2002 na categoria melhor disco de samba

Nei Lopes
Vila Isabel, fevereiro, 2001.


A Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, sonho do autor destas linhas que já está quase virando realidade, consigna: “CLÁUDIO JORGE [de Barros] (1949- ) – Violonista, guitarrista, compositor e cantor nascido no Rio de Janeiro, RJ. Instrumentista de sotaque acentuadamente brasileiro, é freqüentemente requisitado para gravações e espetáculos no Brasil e no exterior. Compositor, é parceiro de Martinho da Vila, Cartola, João Nogueira e Nei Lopes, entre outros, em canções gravadas por vários intérpretes da música popular brasileira. A partir do final da década de 1990, tornou-se também conhecido e respeitado como arranjador e produtor musical”. 

Evidentemente que, por servirem a um texto de enciclopédia, as informações aí em cima são frias e calculadas. Mas o Cláudio Jorge é muito mais, querem ver só? 

Neto e filho de jornalistas boêmios e festeiros, CJ foi picado muito cedo pelo vírus da música. E, rapazola ainda, já estava ele abraçado ao violão, com o qual acompanhou, inclusive, Ismael Silva e Clementina de Jesus. Foi esse violão que levou CJ ao exterior, tocando com Sivuca, para ter sua arte admirada na Europa, na África, nos Estados Unidos e no Japão. Arte de músico solista e acompanhante que mereceu elogios de gente como, por exemplo, o gaitista Toot Stileman. E que, nos anos 70, o levou ao disco, em uma gravação na Alemanha, ao lado de Sebastião Tapajós e Joel Nascimento, e em outra brasileira, pela antiga Odeon, na qual também soltava a voz. 

Mas, ao mesmo tempo em que aparecia e se internacionalizava, participando, inclusive, do CD “Brasileiro”, de Sérgio Mendes, premiado com o Grammy, CJ, na parceria com João Nogueira, voltava ao seu quintal suburbano, do Cachambi. E pela mão de Martinho da Vila chegava à avenida. 

Pois há mais de dez anos, é de CJ o violão que, na avenida, dá o tom e a harmonia para os sambas da Unidos de Vila Isabel. E essa aproximação acabou, obviamente, levando-o a integrar a ala de compositores da escola, com orgulho e vibração. 

O CD que agora tenho a alegria de apresentar é, de fato, “coisa de chefe”. Porque ser “chefe”, no dialeto da “terra de Noel” é fazer bem aquilo a que a gente se propõe. 

Cláudio Jorge, meu parceiro em dezenas de composições, como também o é, talvez com menos freqüência, de Wilson das Neves, Luiz Carlos da Vila, Ivan Lins, Aldir Blanc, Martinho e tanta gente boa, é um grande compositor, tão bom melodista quanto letrista. E é músico de verdade, brasileiríssimo em sua arte, além de um combatente nas lutas de nossa profissão. 

Com um vasto time de amigos músicos e talentosos, cercou-se deles para fazer este disco, cuja ficha técnica reúne nomes como Alceu Maia, Armando Marçal, Camilo Mariano, Carlos Malta, Carlinhos Sete Cordas, Cláudia Telles, Dirceu Leite, Fernando Merlino, Ivan Machado, Jamil Joanes, Leny Andrade, Marcelinho Moreira, Niltinho Trumpete, Ovídio Brito, Pirulito, Ricardo Pontes Roberto Marques, Gilson Peranzzetta, Cristóvão Bastos, Humberto Araújo e outros não menos importantes. 

Sob o signo da arte e da amizade, CJ concebeu e co-produziu este CD inaugural do selo Carioca Discos, parceria já bem sucedida dele e Paulinho Albuquerque, cujo espírito já salta aos olhos nas fotos em p/b que fecham o encarte. Numa, os amigos Everaldo de Barros e Paulo Medeiros, jornalistas, boêmios e sobretudo cariocas, aprontam uma das suas. Na outra, o intérprete Cláudio Jorge (de Barros) e o produtor Paulinho (Medeiros) Albuquerque, olham, enternecidos, o retrato dos “velhos”. 

Disco de músico, disco de poeta, disco de amigo. Coisa de Chefe.

O SAMBA MELHOR DO BRASIL

(Cláudio Jorge)

 

Meu samba pede passagem

Meu samba pede o ingresso

Meu samba quer homenagem

Porque meu samba ê sucesso.

Estou falando de um jeito

Que só é possível porque aconteceu

Há muito tempo eu queria

E essa alegria a vida me deu

No carnaval da Quizomba

Foi quando eu te conheci

Você vestindo Palmares

Tāo linda para Zumbi

Hoje eu me sinto contente

E já garanti minha vaga no céu

Fui convidado para a Escola de Samba de Vila Isabel.

 

Quando o samba esquentou, toquei

E a bateria tocou, vibrei

Senti naquele momento

Você estava ali pra ensinar

Amor liberdade, liberdade, amizade

E pra sempre sambar

Quando a Vila passou, dancei

Quando a Vila dançou, chorei

Deixo de lado a modéstia

E canto com a minha viola

O samba melhor do Brasil

Sai daqui dessa escola

Cláudio Jorge - violāo e arranjo

Jamil Joanes - baixo

Alceu Maia - cavaquinho

Carlinhos sete cordas - violāo sete cordas

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - repique, caixa, tamborim

Jaguara - repique, caixa, tamborim

Beloba - repique, caixa, tamborim

Pirulito - repique, caixa, tamborim

Trambique - repique, caixa, tamborim

Gordinho - surdo

Mart'nália, Analimar Ventapani, Claudia Telles, Marcelinho Moreira, Ary Bispo, Cavalo, Cláudio Jorge - coro

Musica incindental: Renascer das cinzas de Martinho da Vila

NOVOS TEMPOS

Cláudio Jorge

 

A chuva chega e ela vem lavar.

Vem me livrar do mal.

É água fresca para aliviar meu coração

Que secou de tanto pranto derramado

Pela mágoa que se instalou no peito,

De um jeito tão perverso.

Hoje se desfaz nestes versos.

Um arco-íris se formou no céu

É um sinal que a paz

Já está de volta na minh’alma.

Sinto calma, são novos tempos enfim.

Graças a chuva que levou o rancor

Me permitindo viver outro grande amor

Cláudio Jorge - violāo, arranjo de base

Ivan Machado - baixo

Camilo Mriano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - tan- tan

gordinho - surdo

Cordas:

Paschoal Perrota - coordenaçāo e violino

Bernardo Bessler - spalla

Michel Bessler - violino

Antonela Pareschi - violino

José alves - violino

Joaāo Daltro - violino

Marie-Christine Springel Bessler - viola

Jesuina Passaroto - viola

Alceu Reis - cello

Iura Ranewsky - cello

Arranjo de cordas - Gilson Peranzzetta

COISA DE CHEFE

Cláudio Jorge

O samba é a minha matriz, raiz 
Presente de Deus mais puro, futuro
O samba é pra se viver 
Não é coisa de vender 
Vem do coração, tem mais que razão
É uma questão de ser ou não ser 

 

O samba é pra se viver

Nāo é coisa de vender

Vem do coraçāo, tem mais que razāo

É uma questaāo de ser ou naāo ser
O samba vem pra somar 
Não vem pra contrariar 
Um samba de fato é coisa de chefe 
E é preciso se respeitar 
Levando a carroça pro seu lugar 

 

Refrāo

 

Quem zomba da tradição
Não fez essa tradução: 
Se vem do passado 
Nos mostra o caminho 
Daquilo que leva à transformação
Não venha me obrigar 
Meu samba 'modernizar' 
Ele é movimento, se move com o tempo 
E é preciso se respeitar 
Levando a carroça pro seu lugar 

Cláudio Jorge - violāo, arranjo

Ivan Machado - baixo

Camilo Mariano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Wanderson Martins - cavaquinho

Carlinhos sete cordas - violāo sete cordas

Arlindo Cruz - banjo

Armando Marcal - caixa, tamborim

Ovídio Brito - pandeiro, cuíca, tamborim

Marcelinho Moreira - repique de māo, tan- tan caixa e tamborim

Jaguara - caixa, tamborim

Beloba -  caixa, tamborim

Pirulito - caixa, tamborim

Trambique - repique, caixa, tamborim

Gordinho - surdo

Mart'nália, Analimar Ventapani, Viviane Godoi, Marcelinho Moreira, Ary Bispo, Cavalo, Cláudio Jorge - coro

O QUE É CARNAVAL

Wilson das Neves e Cláudio Jorge

 

 E assim meu carnaval vai embora

Minha felicidade voa mundo afora

Dizem que as coisas mudaram com o tempo

Mas viraram do avesso o meu sentimento

Minha alma tamborim que chora

Coração pandeiro batendo no peito

Este samba é pra botar pra fora

A esperança que eu tenho de se dar um jeito

 

Me lembro daqueles momentos em plena avenida

Que a gente dançava esquecendo da vida

Pois era a alegria o fator principal

O enredo da Escola de Samba tinha fundamento

Do lado de fora ou da corda pra dentro

Era sintonia de igual para igual

 

Me lembro daquele sambista descendo a favela

E hoje eu vejo pintada na tela

Aquela imagem de tempos atrás

Poemas de Heitor, Monsueto e Nelson Sargento

Que eternizaram aqueles momentos

Lembrando os bons tempos dos meus carnavais

 

Me lembro que a Escola de Samba era como família

Que não se trocava, nem por uma milha

Pra se desfilar na Escola rival.

Respeito e afeto havia pelo pavilhão

E fidelidade ao nosso estandarte

Era questão de honra e de coração

 

Me lembro daquele passista ciscando na pista

E hoje o que eu vejo é muito turista

Clicando seus flashes achando normal

Meu samba é pra ver se essa gente assume a coragem

De abrir o caminho e pro povo passagem

Pra ele mostrar o que é carnaval

Cláudio Jorge - violāo e arranjo

Jamil Joanes - baixo

Camilo Mariano - bateria

Wanderson Martins - cavaquinho

Filipe Lima - violāo sete cordas

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim, cuíca

Marcelinho Moreira - repique, caixa, tamborim, tan-tan

Jaguara - repique, caixa, tamborim

Armando Marçal - repique, caixa, tamborim

Beloba - repique, caixa, tamborim

Pirulito - repique, caixa, tamborim

Trambique - repique, caixa, tamborim

Gordinho - surdo

Mart'nália, Analimar Ventapani, Viviane Godoi, Marcelinho Moreira, Ary Bispo, Cavalo, Cláudio Jorge - coro

SOLIDARIEDADE HUMANA

Cláudio Jorge

 

É...

Essa vida é dura de se entender

Vou vivendo, vou pagando pra ver

Onde é que eu vou chegar

Canções, violões, pandeiros

Mil corações

Vivendo a noite das ilusões

Onde eu fui te encontrar

 

Se sentou junto de mim,

Me olhou no fundo assim

Me deitou na tua cama e adeus

Foi só solidariedade humana

Cláudio Jorge - violāo e arranjo de base

Jamil Joanes - baixo

Camilo Mariano - Bateria

Itamar Assiére

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim, ganzá

marcelinho Moreira - tan-tan

Gordinho - surdo

Cordas:

Paschoal Perrota - coordenaçāo e violino

Bernardo Bessler - spalla

Michel Bessler - violino

Antonela Pareschi - violino

José alves - violino

Joāo Daltro - violino

Marie-Christine Springel Bessler - viola

Jesuina Passaroto - viola

Alceu Reis - cello

Iura Ranewsky - cello

Participaçoões especiais:

Newton Rodrigues - trumpete

Cláudia Telles - vocal e arranjo vocal

Analimar Ventapane - vocal

QUANDO TOCO NA VIOLA

(Ivan Lins e Cláudio Jorge)

 

Quando toco na viola

Lembro do velho Cartola

E do Nelson Cavaquinho

Gente que me deu escola

Desde o tempo da vitrola

Feito os papos do Paulinho

Emoção dessas que a lágrima desce

Quando a inspiração

No coração aparece e planta uma canção

Feito uma rosa que cresce

Nos jardins da nossa alma

 

Quando toco na viola

Fica bom bater uma bola

Com Ovídio no pandeiro

A imaginação decola

Penso no Brasil agora

Pensado por Darcy Ribeiro

Pataxós, negros, Tupis, Guaranis

Nas missas, nos ebós

Povos de vários perfis

Que deram para nós

A cara desse pais

Pintada em seus quinhentos anos

 

Quando toco na viola

Essa herança quilombola

Me leva pra rodar o mundo

Levo dentro da sacola

Toda a minha curriola

Dos tempos do Pedro II

Viajar, é semear a saudade

Pra depois voltar

Cheio de felicidade

Poder transformar

Sonhos em realidade

Combinados na partida

 

Quando toco na viola...

Cláudio Jorge - violāo, arranjo de base

Ivan Machado - baixo

Camilo Mariano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Arlindo Cruz - banjo

Nelson Oliveira - fluguelhorne

Roberto Marques - trombone

Ricardo Pontes - flauta

Dirceu Leite - clarinete

Ovídio Brito - pandeiro, cuíca, ganzá

Marcelinho Moreira - tan- tan

Gordinho - surdo

CÔCO SACUDIDO

(Cláudio Jorge e Nei Lopes)

 

 

Chacoalha o corpo, balance e estremeça

Que pra cabeça não se tem coisa melhor.

Queime um punhado de tuia-fundanga

Solte essa franga e toque fogo no paiol.

Bota pra fora esses troços estranhos

E tome um banho de aroeira com timbó.

 

Pegue o mal de surpresa, dê um nó

E despache a tristeza num ebó.

 

Toque esse barco sereno, sem pressa

Não entre nessa de remar contra a maré.

Se está gostoso, não jante afobado,

Guarde um bocado desse bolo pro café.

Quem cospe brasa é porque comeu fogo

Esconde o jogo que depois se vê qual é.

 

Pegue o mal de surpresa pelo pé

E despache a tristeza pra Guiné.

 

Faça da vida um cachimbo de barro

Que até com sarro é bom de se saborear.

Vá sempre em frente mas cuide do jarro

Não deixe o carro na frente do boi passar.

Após os maus sempre vem bons instantes

Não veio antes mas depois sempre virá.

 

Bote a melancolia no jacá

Que ele mesmo esvazia lá no mar.

Cláudio Jorge - violāo, arranjo de base

Ivan Machado - baixo

Camilo Mriano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Gordinho - surdo

Carlos Malta - sax soprano, flauta em C, flautim

Carlos Vega - tuba

Eliezer Rodrigues - bombardino

Lulu Pereira - trombone

Nelson Oliveira - trumpete

Mart'nália, Analimar Ventapani, Viviane Godoi, Marcelinho Moreira, Ary Bispo, Cavalo, Cláudio Jorge - coro

Participacāo especial: Nei Lopes

Arranjo de sopros - Carlos Malta

AMOR DE FATO

Cláudia Jorge e João Nogueira

 

Vamos arrumar a casa oh! nega

Vamos recomeçar o amor

Vamos abrir a janela

Que um novo sol vai entrar

Vamos limpar a poeira

E as plantas regar

O nosso amor é de fato oh! nega

Não pode se acabar

 

Arrumei um lugarzinho

É pequenininho mas dá pra morar

Pintei tudo de branquinho

E rezei os cantinhos com água do mar

Você vai ver que barato

Tem sala dois quartos e um pé de cajá

Chega pra cá pro mulato

Que um amor de fato não pode acabar

Cláudio Jorge - violāo, arranjo de base

Ivan Machado - baixo

Camilo Mariano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Alceu Maia - cavaquinho

Carlinhos sete cordas - violāo sete cordas

Arlindo Cruz - banjo

Nelson Oliveira - trumpete

Roberto Marques - trombone

Dirceu Leite - sax alto

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - repique de māo, tan- tan

Jaguara - repique, caixa, tamborim

Beloba - repique, caixa, tamborim

Pirulito - repique, caixa, tamborim

Trambique - repique, caixa, tamborim

Gordinho - surdo

Mart'nália, Analimar Ventapani, Marcelinho Moreira, Ary Bispo, Cavalo, Cláudio Jorge - coro

Participacāo especial 

Humberto Araujo - sax tenor e arranjo de sopros

PRINCIPIO DO IINFiINIiTO

 

Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila

 

 

É muito mais que imaginei

Você nem pode imaginar

Que assim, logo assim que eu olhei

Eu logo vi e aí me dei

Conta de que me vi no seu olhar

Tinha mais luz do que eu sonhei

Ou mesmo Deus pode sonhar

Por fim dei por mim me apaixonei

Sonho mais doce que eu provei

E sempre vou provar

 

Que é um amor bem mais

Do que o amor que faz

Apenas um amor bonito

É a guerra e a paz

Bruxas e Orixás

Princípio do infinito

É o bonde é o trem

É o zero é o cem

O silêncio e o grito

Ah! meu Deus do céu

Princípio do infinito

É o mal é o bem

A rainha e o ninguém

O normal e o mito

Ah! meu Deus do céu

Princípio do infinito

É o aqui e o além

O ateu e o amém

Mal olhado e bendito

Ah! meu Deus do Céu

Princípio do infinito

Cláudio Jorge - violāo, arranjo de base

Ivan Machado - baixo

Camilo Mariano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Wanderson Martins - cavaquinho

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - tan- tan, pandeiro, repique de māo

Gordinho - surdo

Dirceu Leite - Clarinete e clarone

Arranjo de sopros - Gilson Peranzzetta

E o vento levou

(Wilson das Neves e Cláudio Jorge)

 

 

Você foi como veio

Um amor que sem freio

Disparou em nós essa emoção

Confiamos em nós nos perdemos

Achando imbatível a nossa paixão.

 Os momentos em que nos amamos,

Vivemos, cantamos, deixamos passar.

Confiamos em nós nos perdemos

Ficando a vontade do tempo voltar.

 

A saudade foi o que sobrou

Deste amor que brincou

Ao julgar ser capaz.

De prever, de cuidar, de zelar

De nutrir, de salvar, de guardar

Ser a nossa proteção

Deixou marcas na alma a lição

E hoje só o coração

Pra agüentar essa dor

és a folha que o vento levou

E eu atrás perseguindo

Buscando-te em vão.

Cláudio Jorge - violāo, arranjo

Ivan Machado - baixo

Camilo Mariano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira -  tan- tan caixa 

Gordinho - surdo

Participaçāo especial: Wilson das Neves

Panela na pia

(Jamil Joanes e Cláudio Jorge)

 

Eu fiz uma peixada legal.

Não tem mais ninguém de barriga vazia.

Quero ver quem que vai encarar

um montão de panela na pia.

 

Fui pedir pra Carla Peres

Lavar a panela onde tava o pirão.

Me olhou de cara feia dizendo:

-Naquilo eu não boto a mão

Então consultei Caetano, ele disse:

-Não posso eu já vou pra Bahia.

Quero ver quem que vai encarar

Um montão de panela na pia.

 

Dei um toque pro Edmundo

Mandou de primeira cheio de pimenta:

-Pode deixar que eu lavo,

Mas lá na cozinha o Romário não entra.

Tentei convencer Luxemburgo

Mas sua elegância não lhe permitia.

Quero ver quem que vai encarar

Um montão de panela na pia.

 

Chamei o Bill Clinton na xinxa:

“Vem cá meu compadre, tu tá na minha área”.

Foi saindo de fininho,

Ele tava de olho numa secretária.

Apelei para o Fernando Henrique,

Não pode porque o protocolo o impedia.

Quero ver quem que vai encarar

Um montão de panela na pia.

 

Já tava desanimado

Com aquele problema sem ver solução,

Quando batendo uma bola

Vi lá na banheira o Gugu e o Faustão.

Eles quiseram saber

Se lavando domingo o Ibope subia

Quero ver quem que vai encarar

Um montão de panela na pia.

Cláudio Jorge - violāo e arranjo

Jamil Joanes - baixo

Camilo Mariano - Bateria

Wanderson Martins - cavaquinho

Carlinhos sete cordas - violāo sete cordas

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - tan-tan, pandeiro

Gordinho - surdo

Participaçāo especial: Toque de Prima

SÓ VOCÊ

Cláudio Jorge e Luiz Alfredo Milleco

Quem nāo viu seu amor duvidar e fugir

Quem nāo viu todo amor nāo ter mais fim

quem nāo reinventou a razāo de sorrir

Nem sentiu que a vida é mesmo assim

Quem nāo soube entender

Coraçāo sem bater, só você

Quem nāo quis aprender

A ficar sem sofrer, só você.

Quem já nāo errou um dia?

Quem já nāo pediu perdāo?

Quem já nāo cedeu?

Quem já nāo cansou?

Quem já nāo desceu ladeira?

Quem carrega seu mundo

Na palma da māo, só você

Quem confunde fraqueza

Com ingratidāo, só você

Cláudio Jorge - violāo e arranjo

Ivan Machado- baixo

Camilo Mariano - Bateria

Fernando Merlino - piano

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - tan-tan, repique de māo

Gordinho - surdo

Participacāo Especial: Jose Carlos Bigorna

flautas em C e G

ESTRELA CADENTE

Cláudio Jorge e Nei Lopes

 

 

Uma estrela desceu de lá do céu

E num faixo de luz me iluminou

Pousou dentro de mim

Pra fazer tudo se acender

Estrela cadente que subitamente me fez renascer

Mas um dia essa estrela resolveu

Regressar pro lugar onde nasceu

Foi pra beira do mar

Se deitou, se deixou levar

Num floco de espuma

Num gesto de pluma flutuou no ar

 

Mas lá no céu onde está

Vez por outra ela vem

Calma, serena, me visitar

Vem num sonho bom, vem num despertar

Num lampejo de inspiração

Num raio de sol, num calmo luar

Numa doce recordação.

Cláudio Jorge - violāo, arranjo de base

Ivan Machado - baixo

Camilo Mriano - bateria

Fernando Merlino  - piano

Wanderson Martins - cavaquinho

Filipe Lima - violāo sete cordas

Zé Nogueira - sax soprano

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - tan- tan

Gordinho - surdo

Mart'nália, Analimar Ventapani, Claudia Telles, Marcelinho Moreira, Ary Bispo, Cavalo, Cláudio Jorge - coro

Cordas:

Paschoal Perrota - coordenaçāo e violino

Bernardo Bessler - spalla

Michel Bessler - violino

Antonela Pareschi - violino

Joseé alves - violino

Joaāo Daltro - violino

Marie-Christine Springel Bessler - viola

Jesuina Passaroto - viola

Alceu Reis - cello

Iura Ranewsky - cello

Arranjo de cordas - Cristóvāo Bastos

SAMBA PRO LUIZĀO MAIA

Cláudio Jorge

Cláudio Jorge - violāo e arranjo de base

Jamil Joanes - baixo

Camilo Mariano - bateria

Alceu Maia - cavaquinho

Fernando Merlino - piano

Nelson Oliveira - trumpete

Roberto Marques - trombone

Dirceu Leite - flauta

Humberto Araujo - sax soprano

Ovídio Brito - pandeiro, tamborim

Marcelinho Moreira - repique, caixa, tamborim

Jaguara - repique, caixa, tamborim

Armando Marçal - repique, caixa, tamborim

Beloba - repique, caixa, tamborim

Pirulito - repique, caixa, tamborim

Trambique - repique, caixa, tamborim

Gordinho - surdo

 

Arranjo de sopros: Fernando Merlino

Participaçāo especial: Leny Andrade

Foto: Everaldo de Barros

FICHA TÉCNICA

Produçāo Fonográfica: CARIOCA DISCOS

Produçāo Artistica: Paulinho Albuquerque

Gravado e mixado em Protools 24 Mix no Estúdio Discover - Rio de Janeiro julho/agosto de 2000

Técnicos de gravaçāo: Rodrigo Lopes e Guilherme Reis

Técnico de mixagem: Guilherme Reis

Auxiliares: pedro Burckauser e André Coelho

Masterizaçāo: Ofinina de Audio e Video

Capa e diagramaçāo: Mello Menezes e José Feijó

Fotos: Bruno Veiga.

Foto na base do CD: Everaldo de Barros

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